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Turquia parte 3: Os bazares de Istambul e o banho turco

Lâmpadas no Grand Bazaar

A gente estava na pindaíba quando fomos pra Turquia, o que em partes justificou economias do tipo não entrar no Harem no Palácio Topkapi. Mas eu tinha duas verdadeiras missões que não poderia sair de lá sem completar, custasse o que custasse: comprar lenços no Grand Bazaar e ir a um banho turco!

Grand Bazaar e Bazar Egípcio (Mercado de Especiarias)

Istambul tem não um, mas dois bazares muito conhecidos. Eles ficam relativamente perto um do outro, então é fácil visitar um e depois dar uma caminhadinha até o outro.

 

Grand Bazaar

Grand Bazaar

Fomos primeiro no Grand Bazaar, e logo de cara você percebe três coisas: o tamanho do negócio, a quantia de coisa, e a insistência dos vendedores. São centenas de lojas e barracas organizadas em “ruas” e “quadras”. Tipo um… cemitério do comércio :P. As lojas são muitas e muito parecidas, as “ruelas” são estreitinhas, e é facílimo se perder lá dentro, então preste atenção e tente marcar pontos de referência pra se localizar. Um mapinha faz falta, mas sinceramente não sei se ajudaria. Sério, é muito grande. Andamos horas lá dentro e tenho a impressão de que só vimos 1/3 do todo.

Lâmpadas no Grand Bazaar

Lâmpadas no Grand Bazaar

Quando a gente viaja é meio impossível não ter “GRINGA” estampado na cara, então por onde você anda você fica ouvindo “Where you from? Where you from?” Nas primeiras vezes em que respondemos “Brasil” já percebemos o erro, os vendedores ficaram animadíssimos e tentaram nos empurrar de tudo, falando um nível de português que me impressionou. Depois falamos que éramos francesas pra ver se diminuía o assédio, mas aí eles respondiam em francês igualmente bom. Uma hora a Julia se enfezou e respondeu “Rússia!”, e não é que o cara começou a falar russo com a gente? Acho que eles devem saber todas as línguas do mundo pra conseguir vender de tudo para todos 😛

E aí entra a velha recomendação: pechinchar, pechinchar, pechinchar! Muito! Você chega a pagar menos de 1/3 do preço inicial nas coisas. No começo era meio chato porque a gente não tinha prática nisso, mas depois fomos ficando espertas.

Vendedor no Grand Bazaar

Vendedor no Grand Bazaar

Uma das primeiras lojas de lenços em que entramos era toda fina, toda acarpetada, o vendedor era um senhor animadíssimo que nos ensinou várias formas de amarrar o lenço, nos serviu chá, toda aquela conhecida hospitalidade turca. Escolhi dois lenços, um mais de verão e uma pashmina, os dois lindos e macios e incríveis. Ele queria cobrar mais de 200 TL pelos dois, e depois de muito pechinchar fechamos por 80 TL. Fiz a conversão pra reais (na época, 1 BRL valia cerca de 1 TL) na minha cabeça e comparei os preços de lenços no Brasil e achei um ótimo negócio, comprar uma pashmina por R$40. Mesma coisa a Julia. Saímos de lá felizes com nossos lenços e nos sentindo exímias negociadoras. Algumas lojas mais à frente encontramos os mesmos lenços por 9 TL… Até tentamos tirar satisfação com o senhor da primeira loja, mas foi inútil. De qualquer forma, quatro anos depois continuo fazendo sucesso com minha pashmina turquesa e dourada :3

Depois das desventuras das compras, fomos para o Bazar Egípcio! Já no caminho até lá passamos por uma rua com várias lojas populares turcas, mais lenços, muita gente na rua. Me senti numa espécie de 25 de Março mais sujinha.

O Bazar Egípcio é um Mercado de Especiarias. Muito menor em tamanho, ele só tem um corredor largo e comprido com lojas, mas vale muito a visita para ver todo tipo de temperos, chás, ervas e quitutes.

Quitutes no Bazar Egípcio

Quitutes no Bazar Egípcio

 

Testando o produto no Bazar Egípcio

Testando o produto no Bazar Egípcio

Aquela primeira percepção do cheiro que você sente logo ao pisar lá dentro é indescritível. Um cheiro delicioso, meio picante, meio quente. Dá vontade de sair farejando tudo de pertinho. Tem umas coisas esquisitas também, e é bem interessante bater um papo com os vendedores (eles falam todas as línguas do mundo mesmo) e descobrir mais sobre qualquer coisa que atice a sua curiosidade. Claro que eles vão querer que você compre algo, mas logo você desapega de se sentir culpada por não comprar.

O Bazar Egípcio fica pertinho da Ponte Galata, então aproveitamos o fim de tarde pra sentar nas escadarias enormes que tem no cais e comer um döner das barraquinhas flutuantes.

Barraquinhas flutuantes no cais próximo à ponte Galata

Barraquinhas flutuantes no cais próximo à ponte Galata

Fim de tarde no cais

Fim de tarde no cais

Hamam (o famoso banho turco)

Num dos dias fizemos algum passeio de manhã e separamos a tarde toda para o hamam. Perto da parada do tram Çemberlitas (dá pra subir a pé seguindo a linha do tram desde Sultanahmet, a rua é bem bonitinha e vale o rolê) tem vários, é só dar uma rodada pela região que você encontra e pesquisa preços. Nessa região ficam os mais turísticos, que recebem excursões, então é legal perguntar na entrada se eles estão esperando algum grupo grande e voltar em outro horário, se for o caso, pra não ficar muito tempo esperando pra ser atendida.

Nós fomos num bastante bombado chamado Çemberlitas. Também é um dos mais caros, mas em verdade vos digo que valeu cada centavo. Existem três modalidades de serviço, de diferentes preços: só a entrada; a entrada mais massagem rápida; e a entrada mais massagem longa com óleos especiais. Pegamos a opção intermediária, de entrada e massagem rápida, e pagamos cerca de 60 TL.

O esquema é o seguinte. Você paga e entra numa área comum que é tipo uma sala de espera, com sofás, tapetes etc. Dali, o serviço se divide: homens para um lado e mulheres para o outro. Você entra num vestiário onde te dão a chave do seu armário, uma toalha para se cobrir e uma parte de baixo de biquini. Recomendo levar o seu próprio. Nesse vestiário você fica esperando até te chamarem, pra não lotar de gente dentro da área do banho propriamente dita.

Interior do Hamam. Foto por: http://www.cemberlitashamami.com/

Interior do Hamam. Foto por: http://www.cemberlitashamami.com/

Lá dentro, é lindo. Uma estrutura abobadada enorme com buracos que deixam entrar a luz do sol, uma plataforma gigante de mármore no centro, pelando de quente. Aqui já é sauna, todo o ambiente extremamente úmido e quente, com bastante vapor por todo lado. Ao redor da plataforma tem várias mini-câmaras abertas para o salão principal, com torneiras de água bem gelada e shampoos e sabonetes pra você usar à vontade.

Como a gente pediu o serviço com massagem, entramos e já deitamos no mármore pra ir esquentando enquanto esperamos o serviço. A toalha que eles te dão serve pra você colocar no mármore e deitar em cima pra não escaldar muito. Lá dentro fica todo mundo peladona mesmo então não tem problema ficar só com a parte de baixo do biquini.

Um tempo depois chega uma senhora turca, faz massagem no seu corpo inteiro com um paninho esfoliante especial e sabonete, lava seu cabelo com shampoo e tudo. Basicamente, uma outra pessoa te dá banho! É super relaxante! Depois ela te leva pra uma das câmaras pra se enxaguar com a água gelada. Com o calor da sala aquela água gelada vem como uma bênção, é uma delícia! A mulher que me atendeu não falava nada de inglês, mas deu pra se comunicar bem. Ela deve estar acostumada com as gringas.

Piscina de hidromassagem no Hamam

Piscina de hidromassagem no Hamam. Foto por: http://www.cemberlitashamami.com

Depois da massagem você pode ficar o tempo que quiser no hamam. Pode ficar deitada no mármore quente ou ir pra sala ao lado, onde tem uma piscina de hidromassagem. Chocamos quando vimos uma plaquinha indicando que a temperatura da água era de 38°C! Pra mim o mais legal era ficar alternando entre a água super quente da piscina e a água super gelada das torneirinhas.

Quando seu saco enche, você volta para os vestiários. Lá tem toalha para você se enxugar e até secador de cabelo pra quem quiser usar. A sala seguinte é uma sala relax, onde as pessoas (mulheres e homens ainda separados) ficam conversando e socializando. Tem uma fonte no meio e vários sofás ultra confortáveis ao redor, umas revistas pra você ler etc. Quase dormi nos sofás haha. Tinha uma mulher tocando um instrumento de percussão no dia que a gente estava lá, bem tranquilo. Você também pode tomar um çay [tch’ai] aqui, mas tem que pagar.

Quando voltamos pro albergue naquele dia, o comentário foi: “Hoje não precisa tomar banho, né?”

Veja o relato completo:

Turquia Parte 1: Expectativa x realidade em Istambul

Turquia Parte 2: Sultanahmet, a Istambul dos meus sonhos

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