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Turquia parte 2: Sultanahmet, a Istambul dos meus sonhos

Fonte Alemã e Mesquita Azul ao fundo

Depois de ter quebrado a cara com um belo choque de realidade no nosso primeiro dia em Istambul, foi a partir do segundo dia que realmente vimos todo o esplendor da arte e arquitetura Bizantinas e Otomanas.

Fizemos essas visitas bem com calma no segundo e terceiro dias, sempre depois de comer no hostel um típico café da manhã turco, que eu adorei: tomate, pepino, azeitonas pretas, ovo cozido e pão preto com geleia e queijo feta. Tudo acompanhado de um quentinho, fortinho e pretinho çay [tch’ai], como em todo lugar na Turquia. Muitas vezes a gente tomava o café, e na saída do albergue pegávamos um suco na vendinha logo do outro lado da rua pra ir tomando pelo caminho.

A região da cidade velha, a antiga e gloriosa Constantinopla, hoje em dia é conhecida como Sultanahmet, que também é o nome da nossa conhecida Mesquita Azul. A Istambul clássica que eu sempre sonhei em conhecer era esta. Pegamos o tram de Galata até aqui e até hoje escuto a mulherzinha da gravação falando o nome do ponto: “Sultanahmet – Blue Mosque“.

Descendo do tram, parecia que eu estava descendo em uma estação de trem em outra cidade. O centro histórico é muito diferente MESMO das outras regiões da cidade. Ok, tem um milhão de turistas e pessoas tentando vender coisas para turistas, mas nada disso te impede de assimilar a grandiosidade do local e as centenas de anos de história que rolaram por ali.

Fonte Alemã e Santa Sofia ao fundo

Fonte Alemã e Mesquita Azul ao fundo

E a beleza, gente, a beleza. Dá muito bem pra ficar um tempão sentada perto da Fonte Alemã, bem no centro da coisa toda, só admirando aquilo tudo. Brincar de turistão e tomar uma Cola Turca também pode.

Hipódromo

Começamos pelo Hipódromo porque hoje em dia ele é só uma praça comprida no meio de tudo. É só chegar e olhar. Durante o Império Bizantino era aqui que rolavam as corridas de bigas (estilo Ben Hur) e toda a socialização da moçada. A parada era tão importante que rolava até tretas políticas e religiosas, que a rivalidade entre as duas equipes principais de biga (os Azuis e os Verdes) ajudava a atiçar, dando até guerra civil. O imperador sentava numa cabine que era enfeitada por quatro cavalos de bronze, mas durante as Cruzadas em 1204 esses cavalos foram saqueados e hoje ficam na fachada da Catedral São Marcos, em Veneza. Em 1453 chegaram os Otomanos e cagaram baldes pro Hipódromo, então deixaram ele lá quieto e desativado. Atualmente, a pista original de corrida foi coberta e fica 2m abaixo do calçamento.

Estou contando tudo isso porque esse lugar só é legal se você tiver essa parte da história em mente. A gente não tinha e não viu graça nenhuma.

Obelisco egípcio no Hipódromo

Obelisco egípcio no Hipódromo

Mentira, os dois obeliscos são bem impressionantes: um trazido da Grécia e outro (com mais de 3500 anos) do Egito pelos imperadores Constantino e Teodósio, respectivamente.

Mesquita Azul

Um dos pontos mais famosos de Istambul e, pessoalmente, um dos que eu mais gostei, pela “beleza interior” e pela experiência, digamos “energética”.

Bem ao lado do Hipódromo, demoramos um pouco pra achar a entrada, que é pelo pátio na parte de trás.

Pátio da Mesquita Azul

Pátio da Mesquita Azul

No pátio você vê uma parede com várias torneirinhas douradas enfileiradas, porque os muçulmanos têm o costume de se lavar antes de entrar no templo (acabei de descobrir que isso se chama ablução). É bonito. Não pode entrar com sapato nem com shorts curto nem com o ombro aparecendo. A gente estava “decente”, mas se você não estiver, pode pegar um lenço emprestado. É tudo de graça mas eles gostam de doações.

Interior da Mesquita Azul

Interior da Mesquita Azul

Por dentro, fiquei ainda mais maravilhada. A mesquita ainda funciona, então além da arquitetura ser linda, você sente toda aquela energia fortíssima de um local religioso, meio no escuro, com pouca iluminação. É muito bonito ver as pessoas orando, em posição de entrega total à sua fé. Pra elas é uma coisa simples e corriqueira, mas sei lá, me emocionei.

Tanto que quase perdi a câmera lá dentro. Deixei do meu lado enquanto contemplava o lugar sentada no chão (acarpetado e maciozinho) e esqueci. Voltei uns minutos depois e estava no mesmo lugar. Ufa!

Cisterna da Basílica

 

Interior da Cisterna da Basílica

Interior da Cisterna da Basílica

Este era um lugar no qual a gente não tava botando muita fé, mas resolvemos arriscar. Por “arriscar” eu quis dizer pagar 10 TL pra entrar. Valeu cada centavo. É muito impressionante. O escuro, a iluminação, a água, os peixinhos, e principalmente as estátuas da Medusa. Fica meio escondido, perto da praça de Sultanahmet mas não é difícil de achar.

Santa Sofia

Você sabia que a Basílica de Santa Sofia não foi construída como dedicação a nenhuma santa chamada Sofia? O nome original em grego (transliterado Hagia Sophia) na verdade significa “sagrada sabedoria”. Era uma catedral, depois virou mesquita, depois virou museu.

Por fora, é maravilhosa, imponente. É sem dúvida a primeira coisa que você vai ver quando descer do tram e aquela coisa que você não vai conseguir não olhar todo o tempo que estiver ali. Não tem como não achar. É o dobro do tamanho da Mesquita Azul.

Interior da Santa Sofia

Interior da Santa Sofia

Por dentro, a estrutura abobadada impressiona pelo tamanho, e os mosaicos são incríveis, apesar de meio destruídos. Mas pra mim foi o tipo de coisa “obrigatória” pela importância. Talvez seja ignorância histórica minha, mas digamos que não foi a coisa mais legal que eu vi em Istambul. A entrada custou 25 TL.

Palácio Topkapi

Este deixamos para fazer num dia separado, com calma. Foi uma das coisas mais espetaculares. Você entra e já dá de cara com um jardim maravilhoso. De um lado a vista pro Bósforo, do outro muitas roseiras e gatinhos vira-lata tomando um solzinho.

Gatinho tomando um sol no jardim do Palácio Topkapi

Gatinho tomando um sol no jardim do Palácio Topkapi

 

E todos aqueles azulejos, gente? Você paga 25TL pra entrar e pode explorar por conta própria as áreas do palácio abertas para visitação.

O que eu achei mais espetacular mesmo foi a área chamada Fourth Court, um pátio aberto com uma vista maravilhosa (sério) do Bósforo. Depois que eu soube que essa era uma área de lazer dentro do Palácio, deu pra entender melhor a vista e as construções lindas. Menção especial pro Iftariye Baldachin, um balcãozinho com teto de ouro construído com o objetivo de ser um lugar gostoso pra quebrar o jejum durante o Ramadã.

Interior do Pavilhão Bagdá na Fourth Court

Interior do Pavilhão Bagdá na Fourth Court

Tem duas coisas que eu me arrependo nessa visita: a primeira foi não ter um guia pra contar a história do lugar. É tudo muito lindo mas o tempo todo eu sentia falta de saber o que acontecia por ali. Muita coisa só fui saber agora, pesquisando pra contar pra vocês. Sabendo da história é muito mais fácil e interessante entrar na onda do lugar.

A segunda coisa de que me arrependo é não ter visitado o Harem. Você paga mais 15 TL pra entrar, e tem um guia que te explica tudo. Parece ser maravilhoso, mas na hora escolhemos não pagar essa grana. Que pena, agora vou ter que voltar! 🙂

Esses são os pontos turísticos mais clássicos e mais visitados de Istambul. Era isso que eu tinha em mente quando pensava em Istambul, além de comer muito turkish delightbaklava, mas não foi só isso que a gente fez. Logo logo eu conto mais!

Veja o relato completo:

Turquia Parte 1: Expectativa x realidade em Istambul

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