Não foi difícil decidir fazer um mochilão América Latina. Eu não sabia exatamente o que eu queria fazer nas minhas férias de 2014, mas por algum motivo sabia que precisava ser algo importante, significativo e memorável. Não lembro ao certo o que eu estava procurando quando essa meta surgiu do nada e caiu no meu colo: Machu Picchu. E a busca foi mais além: Trilha Salkantay.

Brilhando muito em Machu Picchu. Foto: Aaron Kor.
Brilhando muito em Machu Picchu. Foto: Aaron Kor.

Comecei a pesquisar e as passagens aéreas estavam bem caras para as datas em que eu podia ir, então outra opção bem clara, e que depois começou a parecer muito mais interessante e definir todo o objetivo da viagem, me surgiu: 100% por terra.

Assim, defini que faria um Mochilão América Latina, mais especificamente pelos Andes. Isso nunca foi um grande sonho pra mim, sempre era uma daquelas coisas que “pô seria legal se pá”.

Mas aí entrou na roda toda a questão pessoal-emocional-espiritual que eu comecei a revirar em mim mesma em 2013, e desde o início eu soube que precisava fazer essa viagem. E precisava ir do jeito mais lento, difícil e recompensador: de ônibus. Também precisava passar um tempo na natureza (mais ou menos) selvagem.

E precisava fazer tudo isso sozinha.

Nem chamei ninguém. Eu quero me permitir ir ao máximo dos meus limites sociais e emocionais, sem depender de ninguém, sem usar ninguém como apoio moral ou “porto seguro”, sem fazer nada para agradar ninguém, sem deixar de fazer nada para não desagradar ninguém. Quero segurar sozinha, na marra, quaisquer barras que possam advir de lidar com esses limites.

Essa é a rota de mochilão mais batida do mundo, sei que vou fazer amigos até na fila da rodoviária e sei que se eu não quiser não preciso ficar sozinha nem um segundo.  O desafio, o que é difícil pra mim, é me abrir pra essas novas amizades, buscá-las proativamente. E esse é um dos pontos principais que pretendo desenvolver em mim com essa viagem.

Ir por terra também vai me obrigar a ser espontânea na viagem. Eu sempre quis viajar tomando decisões à medida que ia avançando. Ficar mais tempo em uma cidade de que estou gostando, mudar de itinerário se eu descobrir algum outro lugar bacana pra ir, etc. Só que eu nunca tive os colhões pra fazer isso, sempre fui super metódica e programei passagem e hospedagem com antecedência. Agora não vai ter jeito. Como nem sempre dá pra confiar nos horários e na disponibilidade dos ônibus, e as empresas não vendem passagens pela internet, não dá pra fixar nenhuma data certa, vou ter que organizar tudo na hora. E o mais difícil de tudo: não ficar ansiosa com isso!

Então estou indo com essas duas “filosofias” em mente: abertura e espontaneidade. Achei que esse mochilão América Latina estava mais com cara de viagem de autoconhecimento, de peregrinação, então tenho carinhosamente chamado a empreitada de mochigrinação. hehe 🙂

O roteiro do Mochilão América Latina

Pensei em um roteiro básico que cobrisse tudo o que eu queria ver, percorrendo o caminho da melhor forma logística possível. A ideia, porém, é estar aberta a todas as possibilidades, então esse roteiro ainda pode mudar, dependendo do que aparecer pelo caminho.

Roteiro do Mochilão América Latina
Contando o trecho percorrido no Brasil e a volta, são quase 10 mil quilômetros de chão

A princípio, devo partir de Ponta Grossa (PR) para Campo Grande (MS) e de lá para Corumbá (MS). Atravesso a fronteira com a Bolívia e pego o famigerado Trem da Morte até Santa Cruz de La Sierra. De lá parto para La Paz e depois Copacabana, onde vou pegar o barco para a Isla del Sol. A próxima parada já é no lado peruano do Lago Titicaca: Puno! Pego um trem para Cusco, que é uma cidade que me enche de expectativas. Depois de percorrer a Trilha Salkantay e chegar a Machu Picchu, o plano é ir para Arequipa e logo em seguida visitar o Canyon del Colca. Partiu para San Pedro de Atacama desbravar o Deserto do Atacama, e de lá passar uns dias rodando pelo Salar de Uyuni. Chegando em Uyuni, parto para Sucre e depois de volta a Santa Cruz de la Sierra para refazer o caminho para casa. Ufa!

Tudo isso deve levar no mínimo 40 dias, mas ainda quero ver o que a vida vai me trazer.

Acompanhe!

Vou relatar aqui todos os detalhes de como vai ser a minha experiência no mochilão América Latina, coisas que vivi e que senti. A internet está repleta de blogs e fóruns sobre o assunto com as dicas práticas sobre absolutamente tudo o que você precisa saber, mas o que realmente me encanta é ler os relatos das pessoas, e é isso que pretendo escrever e passar adiante, tentando passar pra vocês um pouco de como é passar por isso e estar lá.

Não pretendo levar computador, então estarei postando em “tempo real” na página do Travel Monster no Facebook pelo celular, e quando voltar conto tudo com mais calma e em mais detalhes por aqui. Também vai ter fotos a rodo no meu instagram. Procure pela tag #mochigrinacao se não quiser ver minhas selfies hehe.

Começa no dia 1º de junho 🙂

E aí? Como é que foi?

Eu gostaria de poder contar a história inteira cada vez que alguém me fizesse essa pergunta. Mas, já que não dá, vou contando em fascículos: