Peru

#Mochigrinação: Puno e as ilhas flutuantes dos Uros

Depois de ter sobrevivido ao perrengue da altitude e recebido alta da médica em Copacabana, finalmente eu estava pronta para ir ao Peru! Eu estava bem feliz e empolgada porque o Peru era o país que eu mais queria visitar e para o qual eu tinha as expectativas mais altas.

Puno fica na margem do lado peruano do Lago Titicaca, e é bem pertinho de Copacabana. Comprando uma passagem direta (30 Bs.) com alguma agência de turismo, o ônibus para na imigração Bolívia-Peru, espera todo mundo fazer os trâmites e depois segue viagem até Puno. Facinho.

Já na fronteira tem cambista trocando o peso boliviano pelo nuevo sol peruano (s/.). Em junho de 2014, 1 s/. tava custando em média R$0,85. O fuso horário também muda! Aqui a gente tem que atrasar o relógio em 1 hora.

Felizona na imigração peruana :D

Felizona na imigração peruana 😀

É consenso entre os mochileiros e visitantes em geral que Puno não é a cidade mais bonita e interessante do mundo, mas vale a visita como ponto de partida até Cusco e, principalmente, para visitar as ilhas flutuantes da comunidade dos Uros, no Lago Titicaca.

Essa comunidade vive em ilhas artificiais feitas de uma planta chamada totora. É bonito porque quando o sol bate (e ele bate o tempo todo na temporada de seca) lembra um pouco aquele “capim dourado”. Ou talvez isso fosse minha percepção alterada porque eu ainda tava levemente doente heh. O fato é que é bonito.

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Cheguei no comecinho da tarde e fiquei num hostel bom chamado Pirwa. Meu quarto estava vazio, as camas eram confortáveis, o chuveiro era quentinho, o café da manhã e o wifi eram bons, e a agência de viagens deles é competente. Foi lá mesmo que eu reservei o passeio para as ilhas dos Uros, já para o dia seguinte cedinho.

A agência mandou um taxi às 8h pra buscar eu e mais um casal no hostel e levar pro porto, onde o guia já estava esperando todo mundo na frente do barco. O guia, além de ser originário da comunidade e manjar muito, explicava tudo super bem, fazia piada e falava inglês bem. Fiquei feliz.

Você tem que pagar 5 s/. para entrar na comunidade, e logo depois o barco para em uma das ilhas pra todo mundo descer e conhecer melhor. O líder da comunidade vem fazer uma explicação, e as pessoas ali falam aymara, então de vez em quando o guia tinha que traduzir.

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Ele fala sobre a totora e sobre como as ilhas são construídas, além de costumes locais. As mulheres cantam e as famílias te levam pra dentro das casas deles, feitas completamente de totora, pra conhecer. A maior fonte de renda deles é o turismo, então é claro que vai ter muito artesanato feito de totora e tecidos bordados pra você comprar. Tudo muito lindo e eu realmente queria ajudar, mas simplesmente ia estragar tudo socado na mochila 🙁

Aproveitei subindo na torre vigia e quase fui levada pelo vento

Subi na torre vigia e quase fui levada pelo vento

Outra coisa legal e que também ajuda a comunidade é dar um passeio nos barcos feitos de totora que eles usam pra se locomover entre uma ilha e outra.  Aqui você também tem que pagar (5 s/.). Não é obrigatório, então você pode escolher não pagar e voltar para o barco do tour com o guia, mas é super relaxante e bonito e eu recomendo muito.

Eles apelidam esses barquinhos de "Mercedes Benz"

Eles apelidam esses barquinhos de “Mercedes Benz”

O Mercedes Benz te leva pra “ilha capital”, onde tem umas lanchonetinhas e banheiro! O guia dá mais algumas explicações sobre a vida nas ilhas e depois você tem um tempo livre pra aproveitar.

Eu aproveitei tomando um chá delicioso de muña (2 s/.), que dá um gás nervoso na oxigenação, te ajuda a respirar melhor na altitude e dá mais energia. O efeito é parecido com o da folha de coca, mas o sabor não tem nem comparação. A muña tem gostinho de hortelã e é mara! Pena que não é tão fácil de achar em outros lugares, então aproveite pra tomar aqui!

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O passeio termina lá pelo meio dia, de volta ao mesmo porto.

E o que mais tem pra fazer em Puno?

Com a tarde livre, fui atrás de algo pra comer. Perguntei pra tia do hostel e ela me indicou “essa nossa rua aqui mesmo, tá cheio de restaurantes delícia!” Ok, lá fui procurar, e realmente tava cheio de restaurante… um frango frito atrás do outro. O frango “broaster” é uma comida barata muito popular no Peru, geralmente vem com batata frita. Mas eu não tava a fim, queria “comida de verdade”.

Também precisava sacar dinheiro, então perguntei pra um segurança na porta de um hotel onde tinha caixa eletrônico e ele me disse para ir até a calle Lima. Andei andei andei até encontrar e já tava reclamando horrores da distância, cansada, com fome e rabugentíssima. Até que cheguei na tal calle Lima e vi que era um calçadão cheio de restaurantes e lojinhas .

Nossa, um lugar bonito em Puno!

Fiquei emocionadíssima e olhei com cuidado todos os cardápios do lado de fora dos restôs. Todos pareciam bons, escolhi um qualquer e tive minha primeira experiência com a incrível culinária peruana. Meu humor melhorou na mesma hora.

Essa é a região mais turística da cidade, recomendo pra experimentar comidas tradicionais e se sentir um pouco mais “confortável” depois dos perrengues que rolam em qualquer viagem.

Carnaval de Puno

Se você estiver por lá em fevereiro/março, aproveite pra curtir o carnaval de Puno, que é super bonito e colorido e divertido. Tenho certeza que ele deve deixar a cidade muito mais animada do que estava quando eu fui, em junho!

Na prática

Como chegar a Puno

  • Saindo de Copacabana, a opção mais simples e rápida é pegar um ônibus turístico, comprando a passagem em uma das agências da Av. 6 de Agosto. Sai da agência às 7h30 (horário boliviano) e chega às 11h (horário peruano). Custa 30 Bs.
  • No caminho inverso, saindo de Cusco, existem inúmeras opções, para todos os gostos, todos os preços e todos os horários: ônibus público barateza, ônibus público riqueza, ônibus turístico com comida inclusa e paradas para fotos, trem de luxo etc.

Onde ficar em Puno

  • calle Lima é a região mais turística e bonita da cidade, com lojas, restaurantes e hotéis. É uma região legal pra ficar.
  • Eu fiquei no hostel Pirwa, um pouco mais afastado, mas bem tranquilo e com boa estrutura. 27 s/. por pessoa por noite.

Tour das ilhas flutuantes dos Uros

  • Pode ser reservado no dia anterior ou no mesmo dia em uma das muitas agências de turismo da cidade, ou mesmo no seu hostel ou hotel.
  • Geralmente sai às 9h, 11h e 15h; e retorna às 12h, 14h e 18h. O preço médio é de 25 s/.
  • Você ainda vai gastar 5 s/. pra entrar nas ilhas e mais 5 s/. pra andar no barco tradicional da comunidade, além da grana pra lanchinhos e artesanato.

Que história é essa de #mochigrinação?

Em junho e julho de 2014 fiz um mochilão passando por Bolívia, Peru e Chile. Fui sozinha e sempre por terra, que era pra mor de passar mais tempo comigo mesma praticando duas coisas que estavam fazendo falta na minha vida: a espontaneidade e a abertura. Leia o post introdutório da série para mais detalhes sobre a idéia inicial e o roteiro, ou acompanhe todos os posts pela tag mochigrinação.

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7 Comentários

  • Responder
    Barbara Ferragini
    28 de fevereiro de 2016 às 23:42

    Que bacana ler seu relato! Estou finalmente indo agora pra Bolívia e espero chegar ao Peru também. Apesar de o dólar estar muito alto e o real ter desvalorizado demais perante nossos vizinhos, vou encarar a trip! Também vou sozinha e com um roteiro bem solto, apesar de que quero fazer ao menos esses mais tops do turístico e busco também sugestões de locais – principalmente ecovilas, comunidades, lugares sagrados. Vc tem alguma dica, em se tratando de mulher viajando sozinha? teve algum problema? beijos

  • Responder
    Thereza
    22 de maio de 2016 às 18:29

    Amei seus relatos , vc poderia me ajudar? Chegarei de ônibus em Puno as 14 horas . Já tentei pesquisar em várias postagens e não consegui achar, só vc deu horário de passeio para Uros as 15 h. Vc acha que dá tempo de chegar as 14h e fazer o passeio Uros e Taquile? Vi em outro lugar que tem saída as 16:30, mas não consigo confirmar .
    Continue compartilhando … Obrigada

    • Responder
      Maria Thereza Moss
      2 de junho de 2016 às 13:08

      Oi, Thereza, tudo bem?

      Acho um pouco arriscado, visto que os ônibus costumam atrasar, e até você chegar no hostel e fazer a reserva do passeio pode demorar mais. Acho difícil você conseguir fazer o passeio das 15h. Recomendo dar uma volta por Puno nesse dia com calma e fazer o passeio no dia seguinte às 8h 🙂

      Beijos e boa viagem!

  • Responder
    Geandro de Jesus Dantas
    2 de abril de 2017 às 21:10

    Retornando do passeio às 12h, vc acha que é possível pegar o ônibus das 13:30 com destino à Copacabana?

    • Responder
      Maria Thereza Moss
      3 de abril de 2017 às 11:31

      Oi, Geandro! Acredito que sim. É possível que o passeio atrase um pouco, mas 1h30min é suficiente pra chegar até a rodoviária de taxi, comprar a passagem e embarcar. Melhor ainda se você contratar com antecedência (no dia anterior já é suficiente) um ônibus de turista mesmo pra fazer esse trajeto, aí eles te pegam no seu hostel no horário marcado.
      Abraços e boa viagem!

      • Responder
        Geandro de Jesus Dantas
        3 de abril de 2017 às 22:38

        Então, já comprei a passagem, inclusive! Vou de buzão mesmo! Obrigado! Comecei a te seguir no Instagram!

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