Peru

#Mochigrinação: Guia alternativo de restaurantes em Cusco

Claro, Cusco tem uma arquitetura colonial linda, uma Plaza de Armas cheia de cores, música e dança quase todo dia, uma vida noturna agitada, história antiga e ruínas incas por todos os cantos, é ponto de partida pra Machu Picchu e, por conta de tudo isso, é um destino turístico importantíssimo para gringos e peruanos.

As muitas cores da Plaza de Armas e seu entorno

As muitas cores da Plaza de Armas e seu entorno

Mas quando meu travel monster se junta com minhas lombrigas, fica meio difícil pra mim prestar atenção em qualquer outra coisa que não seja comida. Esse respeitável grupo de críticos gastronômicos (travel monster + lombrigas) ficou impressionadíssimo com a já renomada culinária peruana e não poupou esforços nem despesas para aproveitá-la ao máximo.

Já tendo comido bem em Puno, enchido a pança no caminho até aqui com o rango gourmet do Andean Explorer, e até experimentado a culinária peruana de hospital, comer era minha segunda prioridade em Cusco (a primeira era me organizar para a Trilha Salkantay, a terceira era visitar as ruínas) e o destino de grande parte do meu orçamento da #mochigrinação. Mas quem gosta de comer bem quando viaja pode comemorar e reservar espaço no estômago, porque além de deliciosa, a comida no Peru não é nada cara. Com o nuevo sol (s/.) valendo cerca de R$0,85 (junho de 2014) e pratos finos em restaurantes elegantíssimos custando cerca de s/. 40, não tem pra que passar vontade.

Tentei experimentar o máximo de restaurantes possível, sem repetir nenhum, acatando recomendações de cusquenhos e de outros gringos. Entre todos os almoços e todas as jantas, teve desde café barateza desconhecido até restaurante fino. Chamei este post carinhosamente de “guia alternativo” porque quando eu estive na cidade e procurei blogs com dicas de restaurantes em Cusco, encontrei sempre resenhas dos mesmos lugares. Quero registrar aqui os que eu mais gostei, que descobri por outros meios que não a internet, e que achei dignos de recomendação. Podem ir que eu garanto.

Você tem o direito de comer deliciosamente bem

Você tem o direito de comer deliciosamente bem

Papa

O primeiro lomo saltado a gente nunca esquece. Eu estava hospedada no hostel Milhouse, e esse restaurante ficava bem em frente, atravessando a Calle Quera. É um restaurante pequeno, simples e honesto, frequentado por locais, que chamou minha atenção pela comida simplesmente deliciosa.

Pedi um lomo saltado, um prato típico peruano que consiste em tirinhas de carne fritas na chapa junto com pimentão, cebola, cenoura, tomate e batatas fritas, tudo regado a shoyu e pimenta, acompanhado de arroz branco. Tenho tendência a ficar emocionada e com os olhos marejados quando como a primeira garfada de algo muito muito bom. Dei uma choradinha de leves com esse prato, não é preciso dizer muito mais. Este saiu por s/. 22, e o lugar também oferecia um menu com sopa, prato principal e sobremesa por s/. 20.

El Encuentro

Este é especial para os amigos vegetarianos, mas todo mundo é bem-vindo. Além da comida ser incrível, outra coisa que chamou a atenção foi a barateza. O menu vegetariano, com sopa, prato principal e buffet livre de saladas, saía por impressionantes s/. 8.

Ainda impressionada pelo lomo saltado, eu pedi a versão vegetariana deste clássico, com PTS. A apresentação do prato chamou atenção, o sabor mais ainda. Lembro que um grupo de amigas na mesa do lado pediu o prato que seria minha segunda opção, e não paravam de comentar umas com as outras o quanto estava bom e o tamanho avantajado da porção.

Lomo saltado vegetariano do El Encuentro

Lomo saltado vegetariano do El Encuentro

Fica na Calle Santa Catalina Ancha, 384. Mas atenção ao horário: esse menu barateza só é servido a partir das 12h30min. Eu curto almoçar cedo, cheguei às 11h45 e tive que escolher uma das outras opções do cardápio.

Urpi

Na noite em que conheci o Urpi, o plano era sair a esmo rondando as ruas ao redor da Plaza de Armas para descobrir um lugar novo para jantar. Mesmo que você já saiba aonde ir, recomendo fortemente esse rolê sem destino. Praticamente todos os bares, restaurantes e baladas colocam alguém na porta te oferecendo flyers que valem um drink grátis (geralmente o famoso pisco sour). Pegue todos os que puder e depois volte no lugar que mais lhe apeteceu, tome o drink grátis e vários outros. Ou então seja cara de pau mesmo, tome só o drink grátis de bar em bar e volte pro hostel dançando ao som do grupo de dança que vai estar ensaiando na Plaza de Armas no meio da noite.

Quem me entregou o flyer do Urpi foi um chileno que estava rodando a América do Sul há um ano e meio, arranjando um emprego aqui, outro acolá e tocando a vida uma cidade de cada vez. Dei mais umas voltas depois dessa conversa mas acabei voltando lá porque um travel monster chama o outro, não adianta. Foi uma boa decisão.

O lugar é pequeno e aconchegante e estava meio vazio, então recebi toda uma atenção especial dos atendentes. Tomei meu pisco sour, comi o pãozinho de alho que veio como aperitivo cortesia, experimentei um rocoto relleno, um pimentão recheado que também é um clássico peruano, tomei um vinho e ainda comi uma panqueca de banana e chocolate de sobremesa. Tudo isso me saiu por s/. 35.

Além da comida típica, a especialidade do lugar são as pizzas. Fica na Calle Tecsecocha, 149, num bequinho meio escondinho da Plaza de Armas.

Nuna Raymi

Esse quem me indicou foi o Henry, um cusqueño que trabalhava no hostel em que eu estava. Ele era empolgadíssimo com comida e me indicou uns cinco restaurantes. Desses, escolhi experimentar o Nuna Raymi e fiquei muito, muito feliz por ter feito essa escolha.

O ambiente é super aconchegante, alegre, descolado e cheio de gringos. Eu e meu amigo italiano não destoávamos do conjunto dos frequentadores. Nossos pedidos demoraram um pouco para vir, mas quando vieram, foi só alegria.

Ele pediu uma alpaca que eu achei meio dura, mas o arroz con pato a la chiclayana que eu pedi é um sabor que jamais esquecerei. Prato típico do norte do Peru, o pato derretia de tão macio, o molho era delicioso e o arroz estava incrível. A batatinha doce que acompanhava caía super bem com o molho meio apimentadinho.

Arroz con pato do Nuna Raymi

Arroz con pato do Nuna Raymi

Cada um dos pratos principais saiu por s/. 36, e o lugar fica no segundo andar de uma portinha meio difícil de achar na Calle Triunfo, 356, do ladinho da Catedral.

Limo

Esse tá sempre nas listas dos restaurantes mais ~top~ de Cusco. Eu fazia questão de ir em pelo menos um restaurante bem fino, e a ocasião perfeita foi meu primeiro encontro com uma das pessoas mais marcantes que conheci na viagem, em um almoço em pleno Inti Raymi, a mais importante festa da cidade.

Vista da nossa mesa no Limo

Vista da nossa mesa no Limo

O Limo fica bem na Plaza de Armas, com uma vista linda. Tente chegar cedo pra pegar uma boa mesa. Aqui o negócio é fino mesmo. Eu comi um arroz chaufa com frutos do mar, um clássico representante da influência chinesa na culinária peruana, e ele comeu uma alpaca.

Os dois pratos estavam deliciosos, mas o que me chamou a atenção mesmo foi o melhor ceviche que comi na vida, que pedimos de entrada. Também pudera: pisco e ceviche são as especialidades do lugar. Tinha mais de uma variedade de ceviche, e a gente pediu o criollo, que vinha com camarão e polvo. Eu não gosto de camarão. Achei o camarão delicioso aqui. Acho que não precisa falar mais nada.

Ah, precisa sim: os pratos principais aqui custam em torno de s/. 45 e essa foi a refeição mais cara que fiz em Cusco. Com a garrafa de vinho, entrada e pratos principais, o almoço para duas pessoas saiu por s/. 200.

Mutu

Preferi fazer um suspense e deixar para falar sobre a melhor refeição de toda a #mochigrinação só no final.

Eu queria muito que minha última noite em Cusco, antes de partir pro Salkantay, fosse especial. Comida já é algo bem especial pra mim, então essa tinha que ser incrível. Essa expectativa enorme tinha tudo pra terminar em frustração, mas o santo do travel monster me abençoou e essa refeição superou todas as expectativas e foi a melhor coisa que comi em toda a viagem.

Além do atendimento cinco estrelas, tudo era muito bom. Pedi um aperitivo pra começar e o garçom me recomendou um eucalipto sour. Você vai encontrar muitas variedades de pisco sour no Peru (é tipo a caipifrutas deles), mas aqui foi o único lugar onde encontrei uma com eucalipto. Eu não sabia, mas num dos passeios descobri que ao redor de Cusco existem áreas enormes florestadas com eucaliptos trazidos da Austrália. Até o ar nessas regiões tem cheirinho de pasta de dente <3 Então nada mais criativamente local do que um pisco sour com eucalipto.

Eu estava em dúvida sobre o que comer e o garçom novamente me fez uma ótima indicação: a Alpaca Andina. Um filé de alpaca empanado com quinoa e acompanhado de um purê de uma raiz andina cujo nome não me lembro. O empanado de quinoa é a coisa mais maravilhosamente crocante. O molho levemente apimentado combinava maravilhosamente com o purê, levemente adocicado. O ponto da alpaca estava maravilhoso. Estava tudo maravilhoso. Dei uma choradinha comendo isso e comi bem devagar pra demorar mais pra acabar.

Sem querer ir embora depois de limpar o prato, pedi um brownie de sobremesa. Achei linda a apresentação: o brownie veio cortado em cubinhos dentro de uma taça, coberto pelo sorvete de creme e os morangos. Sim, estava tão delicioso quanto bonito.

Alpaca andina, prato do Mutu

Alpaca Andina, prato do Mutu

O Mutu é anexo a um hotel e fica na Calle Santa Catalina Ancha, 342. Toda essa esbórnia gastronômica de aperitivo + vinho + prato principal + sobremesa + gorgeta me saiu por s/. 70.

Sobre comer sozinha

Eu já estava bem acostumada a comer sozinha em fast food e buffet por quilo aqui no Brasil, mas entrar num bom restaurante e pedir pro maître uma “mesa pra um” ainda me deixava um pouco insegura. O que eu ia fazer enquanto a comida não vinha? Que deprimente comer sozinha! O que é que iam pensar?

Nessa viagem descobri que tudo isso (como a grande maioria das nossas inseguranças) é a maior besteira. Ninguém está prestando a mínima atenção em você, muito menos julgando. Pelo contrário, senti que fui muito melhor atendida quando estava sozinha. Os garçons e garçonetes são sempre muito atenciosos, conversam mais com você, te indicam pratos e sempre têm algo pra te ensinar sobre a cidade. Conversei altos sobre a cosmologia andina com o garçom do Mutu, e fiquei sabendo tudo sobre o Inti Raymi com a garçonete do Urpi. Toda interação é válida.

Além disso, nem sempre é fácil achar uma companhia com os mesmos gostos e expectativas que você. Um dia fui almoçar com um brasileiro que conheci no hostel, ele tinha descoberto um café que ele disse ser baratíssimo e delicioso e eu fui junto, porque ele falou tão bem que eu quis experimentar. A comida era super sem graça e eu saí de lá sentindo que tinha desperdiçado uma refeição na minha busca pelos melhores restaurantes de Cusco.

Então não tenha medo de ir sozinha. Pode chegar na confiança pedindo mesa pra um que eu te garanto que você vai ser bem atendida. Leve um livro ou aproveite o tempo de espera pra entrar em contato com os amigos e a família pelo celular, já que quase todos os lugares têm wifi grátis de boa qualidade.

E você?

Saiu sem rumo em Cusco e caiu no melhor lugar em que você já comeu na vida? Seguiu a indicação de algum maluco fantasiado de Inca e deu sorte? Comeu algo especialmente esquisito que até hoje você não sabe muito bem o que era?

Conta pra gente nos comentários, vai?

Que história é essa de #mochigrinação?

Em junho e julho de 2014 fiz um mochilão passando por Bolívia, Peru e Chile. Fui sozinha e sempre por terra, que era pra mor de passar mais tempo comigo mesma praticando duas coisas que estavam fazendo falta na minha vida: a espontaneidade e a abertura. Leia o post introdutório da série para mais detalhes sobre a idéia inicial e o roteiro, ou acompanhe todos os posts pela tag mochigrinação.

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9 Comentários

  • Responder
    Luísa Ferreira
    21 de outubro de 2014 às 11:13

    Nada melhor do que agradar nossas lombrigas onde quer que seja! 😀 Com certeza vou consultar o post quando for pra Cusco 🙂 Beijo

  • Responder
    bruna
    2 de setembro de 2015 às 20:24

    Qual o cupom do seguro viagem do mês de setembro? 😀

    • Responder
      Maria Thereza M.A.
      11 de setembro de 2015 às 10:55

      Oi Bruna! O cupom é “PROMOSETE”! Voltei agora de viagem e não pude atualizar antes hehehe

  • Responder
    Raquel
    10 de agosto de 2016 às 23:27

    Oi Maria Thereza,
    Não achei nos posts você comentando sobre sua hospedagem em Cusco. Onde ficou? Você indica?
    Obrigada!
    Raquel.

  • Responder
    Ricardo
    25 de março de 2017 às 23:27

    Olá Maria, eu e minha esposa iremos fazer um mochilão de 30 dias pelo Peru, Bolívia e Chile em Setembro. Vc acha que vira deixar pra arrumar hospedagem por lá ou quando já estiver a caminho do próximo destino, ou melhor já ir com tudo reservado daqui do BR?

    Obrigado

    • Responder
      Maria Thereza Moss
      27 de março de 2017 às 10:48

      Oi, Ricardo! Se vocês estiverem com o roteiro bem fechado e passagens internas (tanto de ônibus quanto de avião) já compradas, aí vocês podem se sentir mais seguros reservando daqui. Mas se quiserem um pouco mais de flexibilidade, poder ir embora de uma cidade mais cedo ou ficar mais tempo, se estiverem gostando, é super possível encontrar hospedagem na hora.
      No meu caso, eu não gostava de chegar nas cidades sem saber onde ia ficar, mas também queria ter liberdade pra chegar e ir embora quando desse vontade e até pra mudar de trajeto no meio da viagem se eu quisesse. Então o que eu fazia era sempre reservar a hospedagem um dia antes de chegar em cada cidade. Reservei todos os hostels pelo site hostelworld.com, mas você pode encontrar bons preços também no booking.com.
      Espero ter ajudado 🙂 Beijos e ótima viagem!

      • Responder
        Ricardo
        27 de março de 2017 às 11:38

        Oi Maria! Só temos as passagens de ida e volta compradas: São Paulo -> Cuzco / Santiago -> São Paulo.
        Mas to pensando em ficar uns 10 dias em Cuzco, sendo os 5 primeiros explorar a região, e os outros 5 fazer a trilha Salkantay. A ideia é tentar arrumar alguma agencia que deixar guardar a mochila lá para poder economizar com hospedagem nesse periodo que estiver fazendo a trilha. Gostaria de saber sua opnião sobre essa estrategia. Obrigado!

        • Responder
          Maria Thereza Moss
          27 de março de 2017 às 12:19

          Perfeito, Ricardo, o pessoal faz isso mesmo. Não precisa pagar hospedagem pro período da trilha. Você também pode deixar as malas no hotel/hostel que vocês ficarem antes ou depois da trilha. Quase todos permitem deixar bagagem guardada sem custo adicional, porque quase todo mundo em Cusco faz algum passeio mais longo desse tipo.
          Abraços!

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