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Itália Parte 4 – Dormindo na estação e a volta para Milão

Eu juro que não faço essas coisas porque acho bonito, mas admito que a emoção da aventura fez a experiência toda parecer uma coisa legal, em vez de deprimente.

Como o plano A por pouco não funcionou, depois de dar buona notte pros meus novos amigos, voltei a pé pra estação, porque imaginei que seria o lugar mais seguro e quentinho para eu dormir. Nunca tinha feito isso, no Brasil é inimaginável você dormir assim numa estação ou aeroporto, mas sabia que tinha muita gente que fazia aqui na Europa e já tinha visto muita gente dormindo de roncar nos aeroportos dos EUA, então o absurdo da coisa não passava pela minha cabeça.

1h da manhã, muita gente ainda na rua, o trajeto a pé de madrugada foi tranquilo. Cheguei lá à 1h30, estação bombando. Muita gente dormindo na escada, mas achei que seria desconfortável, então segui a dica do Sleeping in Airports e procurei um lugar onde tivesse mais gente dormindo. Num canto perto dos binarios, parecia um hotel, foi até difícil achar lugar pra mim, mas achei perto de uma parede. Tinha um cara que parecia ser muito profissa em viajar barato, tava com um saco de dormir, o mochilão, tudo preparado. Quando eu cheguei ele estava ouvindo iPod e lendo um livro, como se estivesse em casa. Depois guardou o iPod e o livro, meteu o tapa-olho e dormiu. Chegou a roncar.

Então realmente, era o lugar mais seguro para eu dormir, fora um hotel. Tinha muita gente mesmo, e não era nem mendigo, era gente jovem e bem arrumada. Só que não era nem de perto quentinho, e esse foi o único problema. Invejei muito o saco de dormir do cara. Só consegui dormir direito depois que abriu a sala de espera, que era aquecida e tinha poltronas estofadas e não tinha um nazista controlando se você tinha bilhete ou não.

Minto, teve um outro problema, o do xixi. De manhã, lá pelas 8, quando decidi que não aguentava mais ficar na estação, óbvio que não achei banheiro grátis. O McDonald’s de lá só abria às 10. Achei que eu merecia pagar 80 centavos no banheiro limpo e completo que tinha na estação, mas porra, OITENTA CENTAVOS. Aí aproveitei e escovei os dentes, lavei a cara etc etc. E a tiazinha da limpeza veio bater na minha porta mandando eu sair. Essa foi a hora em que mais me foi útil o italiano, fiz questão de falar “escuta aqui, minha filha, eu tô pagando OITENTA CENTAVOS por questa merda, eu posso ficar aqui o tempo que eu quiser”. Glória.

Assim, visitei o resto de Verona e, à tarde, peguei o trem de volta pra Milão. O Paolone (do CS) foi me buscar no metrô que era perto da casa dele, e naquele dia teria ainda duas festas do Couch Surfing, mas falei pra ele que não ia porque estava muito cansada, o que era verdade, mas o motivo principal de eu não querer ir era preguiça de gastar dinheiro com balada mesmo. Ele foi pra festa e eu fiquei na casa dele e fiz pão de queijo pra levar no picnic do Couch Surfing do dia seguinte haha. Não achamos os ingredientes certos (polvilho não existe), então ficou mais um pão normal com gosto de queijo, mas ficou bom mesmo assim haha. Mais sobre o CS na Parte 5 (Final).

Quer saber o resto da história? Tá na mão!

Itália Parte 1 – A ida e Milão

Itália Parte 2 – Verona e o Espírito Viajante

Itália Parte 3 – O Show do Ligabue

Itália Parte 4 – Dormindo na estação e a volta para Milão

Itália Parte 5 (Final) – O Couch Surfing e o Saldo Final da Viagem

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