Brasil

Explorando Paranaguá em um dia

Foi assim, meio sem querer, na espontaneidade, que acabei conhecendo a cidade mais antiga do nosso Paranã.

Queríamos ir para a ilha de Superagui, que pode ser alcançada via Paranaguá, e pegamos o primeiro ônibus para chegar lá o mais cedo possível. Chegamos às 9h e descobrimos que a barca só saía às 15h. No fim, o que poderia ser uma espera bem chata acabou sendo um dia pra se perder entre as ruelas e casarões coloniais do setor histórico de Paranaguá e conhecer algumas figuras caricatas da cidade.

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Saindo da rodoviária, contornando o Aquário de Paranaguá e caminhando pela orla, só a sensação da maresia na cara e o cheiro do mar já eram suficientes pra fazer a gente nem prestar atenção no tempo desgracento que estava fazendo.

Conversando com as pessoas no trapiche de onde sai a barca para a Ilha do Mel, acabamos conhecendo o dono da barca que ia para o Superagui. Seguindo a orientação dele, deixamos as mochilas, carregadas de mantimentos para o feriado, dentro da barca atracada e saímos, mais leves, para explorar.

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As ruas de paralelepípedos e os prédios antigos destoavam muito dos carros e das caixas de som nas portas das lojas, mas com um pouco de imaginação dava pra se sentir na época da colonização portuguesa, especialmente chegando na Catedral de Paranaguá.

Na frente da Catedral, a Casa de Cultura Monsenhor Celso rendeu alguns bons minutos de piração mental gratuita. Além do casarão restaurado estar em ótimo estado e ser lindo, as exposições artísticas lá dentro eram meio perturbadoras e dava vontade de ficar lá analisando cada detalhe.

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Fiquei até triste por não ter mais coisa pra ver lá e ter que sair eventualmente.

Continuando nossa exploração, não era raro encontrar casarões antiguíssimos caindo aos pedaços e ficar morrendo de vontade de entrar e dar um bizu. Mas só fomos entrar mesmo é no Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR, que fica no prédio restaurado do antigo Colégio dos Jesuítas, fundado em 1755.

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O prédio era incrível, mas o que me impressionou de verdade foi a exposição sobre os sambaquis, que vou explicar aqui bem leigamente como sendo morrinhos formados de fósseis, principalmente conchas. Alguns povos pré-históricos da região litorânea enterravam seus mortos nessas estruturas, bem impressionante.

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Depois do almoço, fomos para o Mercado Municipal. Rolou um arrependimento de não ter almoçado ali, porque tudo parecia muito bom, mas essa sensação logo passou, visto que a sobremesa foi um maravilhoso sorvete caiçara!

Sorvete de creme, banana passa, melado e uma cachaça chamada "mãe com a filha"

Sorvete de creme, banana passa, melado e uma cachaça chamada “mãe com a filha”

Mas nada disso me marcou tanto quanto o que aconteceu depois.

Não lembro exatamente como ele surgiu, mas de repente estávamos conversando com um morador de rua local. O cara falava de forma bem articulada, embora o conteúdo do que ele dizia não fizesse muito sentido. Num espaço de cinco minutos, ele filosofava sobre o dinheiro, citava Drummond, falava francês e cantava os perigos da cataia.

A cataia é uma bebida típica do litoral norte paranaense, um tipo de cachaça com folhas aromáticas. Ele oferecia um gole da cataia, mas tirava do bolso um “Corotinho”. E assim sentamos todos na praça, sentindo a brisa do mar e ouvindo as histórias, um tanto truncadas, da vida do Professor Alex.

Gostaria de dizer que ele fez algum discurso que me tocou de alguma forma e com o qual eu aprendi alguma coisa, mas entre histórias loucas sobre a Ilha do Mel e trechos da sua tese de doutorado (intitulada “As aparências realmente enganam”), ele realmente não falava nada com nada.

O que eu aprendi de verdade foi a tal abertura que tanto busco. Ter tempo, deixar os preconceitos de lado, sentar e conversar com um desconhecido, ouvir as histórias dele e ter uma história só sua pra contar depois. Falo muito sobre isso ser importante numa viagem, mas confesso que às vezes esqueço de aplicar isso no dia a dia. Conversar com o Prof. Alex foi um bom lembrete disso.

Obrigada, Prof. Alex!

Obrigada, Prof. Alex!

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