Estados Unidos

Drinking around the world: a volta ao mundo em 80 goles do Epcot

Muito se fala de “drinking around the world”, uma atividade que consiste em tentar secar a Disney.

O World Showcase do Epcot traz um pavilhão para cada um dos 11 países ali representados. Diferente do Magic Kingdom, o Epcot vende bebidas alcoólicas. Sim, você ligou os pontos bem certinho: cada um dos pavilhões traz bebidas típicas do seu país.

A idade permitida por lei para beber nos EUA é de 21 anos e não tem jeitinho, essa brincadeira é pros adultos que não aguentam mais ouvir falar em Mickey. Quando fiz o Super Greeter em 2012, eu já tinha 23 aninhos, o que me possibilitou a alegria de experimentar cada um dos goles temáticos disponibilizados no parque. Sim, todos no mesmo dia. Um atrás do outro. Uma verdadeira volta ao mundo alcoólica.

Minha dupla dinâmica neste desafio foi o Fabiano, um amigo que já tinha sido meu colega de trabalho em Curitiba e que na época estava fazendo o mesmo programa que eu. A gente tinha os mesmos days off (dias de folga, que quase nunca são sábado e domingo), então sempre rolava de irmos juntos dar carteirada de Cast Member e comer com 40% de desconto nos restaurantes finos dos hotéis da Disney que davam esse desconto. Nesse dia fomos um pouco além na exploração gastronômica e exploramos mesmo foram outras especialidades.

Para finalizar a prova com sucesso, vale fazer uso de doping. Eu trouxe cartelas de Engov do Brasil só pensando nisso, mas nesse dia esqueci tudo no Vista e tivemos que improvisar. Compramos Aspirina e Tums (antiácido) na lojinha de conveniências do hotel Contemporary, onde almoçamos, tomamos um de cada e o efeito foi o mesmo. Dali pegamos o Monorail até o Epcot e entramos direto, novamente dando carteirada de CM pra entrar VIP, e cruzamos a Futureworld sem nem olhar pros lados.

Chegamos na entrada da World Showcase já com a estratégia planejada. Enquanto a maioria das pessoas começa pelo México e segue uma trajetória em sentido horário já enfraquecida logo no começo pela tequila, decidimos começar leve e dar um sprint no final. O Canadá seria nossa primeira parada e seguiríamos o roteiro anti-horário.

Um quiosque bem à vista vendia o Torontopolitan, um drink composto de vodka, triple sec, licor de cassis e suco de cranberry. Aparentemente ninguém pensou na obviedade e na maravilha que seria um drink com xarope de bordo, então acho que esse foi um dos goles mais sem graça. Blame Canada.

Torontopolitan

Torontopolitan

Seguimos em frente até a Inglaterra. Notórios pelos pubs e pela bebedeira, sabíamos que os ingleses não iam nos deixar na mão. Escolhemos tomar cidra em vez de cerveja, já antecipando que ainda tínhamos a Alemanha pra encarar e não queríamos repetir o gole. Entramos no pub Rose and Crown e pedimos um pint de uma cidra que eu achei tão deliciosa que virei cidrólatra e desse dia em diante precisei tomar uma toda vez que visitei o Epcot.

Cidra

Alô, sobriedade?

A França é um dos pavilhões em que eu esqueço onde eu estou e acho que estou realmente naquele país. Depois do champagne que compramos no quiosque, esse esquecimento temporário e os delírios de riqueza europeia  ficaram ainda mais fáceis.

EU SOU RHYCA

EU SOU RHYCA

Pra sair dali falando francês e cair no Marrocos, foi um pulo. Não sei exatamente o que eu estava esperando que fosse o gole marroquino, mas provavelmente devia ser alguma expectativa bem exótica ou só ignorante mesmo. Só sei que fiquei meio decepcionada quando descobri que só tinha vinho marroquino.

É claro que isso não nos impediu de ficar pra lá de Marrakech (desculpa, eu tô segurando essa piada dentro de mim há dois anos) e tirar uma onda étnica.

Cuidado que ele cospe!

Cuidado que ele cospe!

Já chegamos no Japão com os olhinhos meio fechados. Tomamos um saquê Junmai Daiginjyo, que supostamente é pra ser coisa fina, mas na minha posição de a) não-sommelier de saquê e b) bêbada, eu realmente não soube apreciar. Uma pena.

Nesta altura já rebolando com a criançada e cantando "Arigatô-ô-ô-ô-ô! Saionará-á-á-á!"

Nesta altura já rebolando com a criançada e cantando “Arigatô-ô-ô-ô-ô! Saionará-á-á-á!”

Aqui começou a ficar difícil andar e foi quando tivemos que mostrar toda a nossa garra e superação.

Por sorte, já tínhamos chegado na metade do circuito, o American Adventure. Seguimos nosso bom senso e comemos um funnel cake com um sorvete nacionalista que gritava “MURRICA!!!”

U-S-A! U-S-A!

“U-S-A! U-S-A!”

Essa pausa foi fundamental para nossa sobrevivência. Não fosse essa bomba de fritura e açúcar, teríamos que importunar algum Cast Member pra tirar a gente dali carregado. Graças a ela, recuperamos a resistência e ficamos novinhos em folha e prontos para começar o segundo round.

Ali mesmo já retomamos a decadência tomando uma Red Stag Lemonade: uma limonada frozen com bourbon Jim Bean. É menos explosivo do que parece, e bem refrescante no calor floridense de julho.

Long Island Iced Tea

Red Stag Lemonade

Voltamos pra Europa nessa grande zuera geográfica e de repente estávamos na Itália. Empolgadíssima falando italiano com a Cast Member da Enoteca, fiquei sabendo tudo sobre vinhos italianos, apenas para esquecer tudo no pavilhão seguinte. Aqui resolvemos esbanjar porque eles tinham uma opção de degustação. Por US$ 25, você toma um Prosecco e uma seleção de dois vinhos do dia.

La bella vita

La bella vita

Não tinha como não ter expectativas altas com relação à próxima parada. A terra da Oktoberfest não desapontou. O Biergarten, restaurante buffet-comer-até-morrer do pavilhão da Alemanha já é uma delícia, mas tem um quiosque do lado de fora que vende cerveja sem você precisar comer. Enchemos o caneco de chopp weiss e eu não pude resistir matar as saudades das tradições bávaras dos Campos Gerais.

ALLES BLAU

ALLES BLAU

Assim chegamos a uma Cidade Proibida em menor escala na China. O mais legal desse pavilhão são os artistas fazendo apresentações de contorcionismo e equilibrismo no meio do parque. Só tem que tomar cuidado pra não ficar ainda mais tonto observando tanta movimentação.

Aqui tem umas cervejas chinesas e vinho de ameixa, mas o drink mais legal é o Tipsy Ducks in Love, vendido num quiosque. O nome significa “patinhos embriagados apaixonados” e nele vai chá e café gelados com bourbon e chocolate. É forte. Não recomendo tomar isso e entrar na réplica do Templo do Céu pra assistir ao filme em 360° Reflections of China. Muito lindo, mas seu estômago vai virar 360°. É claro que a culpa é deste drink específico e não dos outros oito que tomamos antes. Obviamente.

Tome um Tipsy Ducks in Love, assista o filme 360° e saia com esta cara

Tome um Tipsy Ducks in Love, assista ao filme 360° e saia com esta cara

Se eu tivesse saído da China de verdade no estado em que eu estava, teria acordado na Noruega achando que se passaram 10 minutos. Por sorte, estávamos no Lugar Mais Feliz do Mundo e realmente levou 10 minutos pra ir de um país a outro, não era minha percepção alcoólica falando.

E como bêbado não tem limites, quando entramos no café Kringla, não nos contentamos em tomar só uma dose de aquavit, a cachaça nórdica. Teve que ter café viking também: Baileys e licor de café.

Não surpreende que eu já estivesse sensualizando até com o troll

Não surpreende que eu já estivesse sensualizando até com os troll

Faltavam 15 minutos pro show de fogos IllumiNations e pro parque fechar, mas ainda faltava o último país do circuito. Estávamos muito, muito perto de completar o desafio saindo vivos do Epcot e caminhando por nossos próprios meios. Não dava pra se distrair agora. O foco todo estava no México.

Saímos correndo (na medida do possível né…), praticamente atropelando um Pato Donald vestido de Los Tres Caballeros  e alucinando um Zé Carioca. Entramos na pirâmide maia do pavilhão, o desespero batendo ao ver as lojas de sombreros e maracas já se organizando para fechar. Chegamos na Cava del Tequila lá dentro, o bar mais maravilhoso do Epcot, com uma adrenalina que curou imediatamente toda a bebedeira do dia. Assim, estávamos com a cabeça no lugar para poder fazer uma escolha bem pensada dentre as dezenas de sabores de margarita disponíveis ali. Ao longo do meu programa, experimentei várias das margaritas daqui, mas as que eu mais gostei foram a de pepino e a de café. Maravilhosas!

Vencemos!

¡Vencemos! ¡Viva México!

Todos os pavilhões têm vários tipos de bebidas, principalmente cervejas “locais”. O que a gente tentou fazer foi experimentar os goles mais diferentes e representativos dos países. A recomendação é ir com calma e passar o dia inteiro na função de embriagar-se. O World Showcase abre às 11h e fecha às 21h, então têm aí dez horas pra você enxugar.

Quanto aos preços, em 2012 os drinks estavam numa média de US$ 12 cada. Mas não precisa nem fazer a conta de quanto vai sair a brincadeira toda porque você já sabe que todo bêbado vira milionário, então realmente é desnecessário se preocupar. Só tem que se preocupar em tomar o Engov do depois, no nosso caso, outra Aspirina e outro Tums.

No meu discurso da vitória, eu agradeceria aos Cast Members de todos esses países e aos paychecks da Disney. Agradeceria especialmente ao meu fígado.

Leia também

Nenhum comentário

Deixe um comentário