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Capadócia: quando vale a pena fazer um tour guiado

Nos despedimos de Istambul pela janelinha de um ônibus noturno. Havíamos comprado a passagem numa agência de viagens em Taksim por cerca de 40 TL, e própria van da agência foi nos buscar ali na porta pra nos levar até o ônibus. A viagem durou 11 horas, com direito a lanchinhos, muito çay e wi-fi a bordo, pequenos mimos que contrabalanceavam a total ausência de banheiro no carro.

Nosso destino era Göreme, o vilarejo que serve de “campo base” pra explorar a região da Capadócia (em turco, Kapadokya). Quase não chegamos lá porque não sabíamos que o ônibus parava em Nevsehir, onde a gente precisou transferir para uma van que, aí sim, nos levou até Göreme. A van também recolheu quem vinha pra região de avião e descia no aeroporto de Nevsehir.

Até a van tem tapete bonito na Turquia

Até a van tem tapete bonito na Turquia

Quando chegamos em Göreme, entendemos por que o ônibus não chegava até lá. O lugar simplesmente não tem porte pra rodoviária. A van parou na frente de uma pequena construção com uns 5 guichês de agências de turismo, e só. Quando fizemos nossa reserva no albergue, eles nos enviaram por e-mail um mapinha da vila, marcando a localização deles. Olhando no mapa achamos que teríamos que andar horrores porque a “rodoviária” ficava numa ponta da rua principal e o albergue ficava na ponta contrária. Levamos 5 minutos pra percorrer tudo.

Göreme parece aquelas cidadezinhas de filme de bangue-bangue, só uma rua principal comprida no meio, com os comércios enfileirados de cada lado. Só que muito, muito mais impressionante porque tudo é no meio das pedras.

Tudo, inclusive o nosso albergue!

Göreme é famosa porque lá tem vários hotéis de pedra, do tipo que sempre aparece naquelas listas de “hotéis malucos que você precisa conhecer”. A gente não ficou num desses, mas sim num dos hostels mais legais que já fiquei em toda a minha vida, mas isso é uma história pra outro post.

O tour

Fechamos um passeio de um dia no próprio albergue e saímos logo pela manhã.

Confesso que eu tinha um pouco de preconceito contra esses tours fechados e pacotes turísticos. Tour, pra mim, era o contrário da filosofia travel monster porque você está simplesmente pagando alguém pra te levar ver coisas bonitas e resolver tudo pra você, sem que você tenha que pôr um dedinho do pé pra fora da zona de conforto.

Como sempre ocorre nesses casos  de pré-julgamento, tive que recolher meus delírios de grandiosidade aventureira à sua insignificância e engolir o fato de que eu estava errada.

Depois de rodar por aquela paisagem surreal o dia todo, vi que esse tour foi a melhor coisa que poderíamos ter feito, visto o pouco tempo que tínhamos na região. Primeiro, porque as coisas são longe e, como você deve ter adivinhado, não tem transporte público. O melhor meio de chegar nos locais, se você não alugou carro e rodou a Turquia toda (já pensou? sonho!), é com a van do grupo mesmo. E segundo porque a nossa guia era incrível e manjava de tudo, o que nos permitiu aprender muito mais sobre os lugares.

Começamos com uma parada rápida num mirante de onde dava pra ver todo o feeling de outro mundo das fairy chimneys. Elas são formações de rocha sedimentar e lava, que ao longo do tempo adquiriram esse formato. Minha ignorância geológica não permite uma explicação melhor, mas o que importa é que você se sente realmente num lugar mágico.

Fairy chimneys! Foto: Julia Zettel

Fairy chimneys! Foto: Julia Zettel

Mais paisagens surreais

Mais paisagens surreais

Ali tinha algumas lojinhas, e ganhamos um olho turco de um dos lojistas com quem conversamos. Reza a lenda que esse amuleto só te protege de verdade do mau-olhado se você ganhar de presente de alguém, se você comprar um, não funciona. Estávamos protegidas 🙂

Presente pra proteção

Presente pra proteção

Cidades subterrâneas

Depois dali, fomos direto para a cidade subterrânea de Kaymakli.

As cidades subterrâneas da Capadócia começaram a ser escavadas pelos primeiros cristãos para se refugiarem das invasões romanas. Eram comunidades completas que funcionavam bem, podendo abrigar milhares de pessoas durante meses. Cada câmara, nível, escada, túnel e relevo tinha uma função na engrenagem da coisa, e a guia explicou cada uma delas e para que servia. Mesmo que tivéssemos conseguido chegar até ali sem o grupo, teríamos chegado e visto um monte de buracos na pedra. Com a guia, vimos uma cidade totalmente funcional.

Kaymakli é gigante e tem oito andares subterrâneos, mas os turistas só podem visitar quatro. Algumas partes são muita emoção pra quem é meio claustrofóbico porque né, é uma cidade subterrânea toda escavada, e as passagens são apertadas. Imagine-se dentro de um formigueiro, e é basicamente isso. É realmente impressionante. Pena que as fotos não ficam muito legais se você não tiver uma câmera que funcione bem no escuro.

Vale do Ihlara

Esse vale é um canyon de aproximadamente 100m de profundidade. É legal porque é um dos únicos lugares onde você vai ver vegetação em abundância na Capadócia, ao contrário de pedras e mais pedras. Parece que você volta pro planeta Terra depois de ter passado um tempo no mundo da lua.

 

Selfie no Vale do Ihlara (antes da selfie ganhar respeito)

Selfie no Vale do Ihlara (naquela época em que selfie não era tão legal assim)

Fizemos uma trilha leve canyon adentro, confesso que minhas Havaianas ficaram um pouco desconfortáveis nessa hora, então recomendo fazer o tour todo de tênis.

Camelagem linda

Camelagem linda

Nosso almoço foi no fundo do canyon, em plataformas cobertas bem em cima do rio. Paisagem bonita e comida delícia 🙂

Almoço sobre o rio Ihlara. Foto: Dana Carmel, Time Travel Plans.

Almoço no fundo do vale do Ihlara. Foto: Dana Carmel, Time Travel Plans.

Monastério Selime

Dali, fomos pra parte do passeio de que eu mais gostei. Uma coisa bizarra, toda uma estrutura escavada nas formações rochosas formando um monastério completo.

Sim, todo esse complexo é o monastério. Tiozinho opcional.

Sim, todo esse complexo é o monastério. Tiozinho opcional.

Escavado em detalhes, com colunas, arcos, tudo. Tem até uma catedral lá dentro. É tão, tão impressionante que as pinturas ainda estejam conservadas lá dentro. Me emocionei de verdade.

Tudo isso é escavado na pedra. Foto: Jenn Lu.

Tudo isso é escavado na pedra. Foto: Jenn Lu.

Depois pudemos ficar caminhando, escalando e explorando as formações rochosas onde os antigos realmente viviam, o que pra mim foi o ponto alto do passeio. Adorei imaginar como era a vida das pessoas que viveram ali, me sentindo em Bedrock, e me diverti horrores brincando de explorar.

Tinha gente que morava aqui

Tinha gente que morava aqui

Vista da janelinha. Foto: Julia Zettel

Vista da janelinha. Foto: Julia Zettel

Por fim, como em toda excursão, fomos levados a uma fábrica que lapidava pedras e transformava em joias, vimos o processo de fabricação e depois tivemos tempo pra olhar a loja. As coisas eram realmente maravilhosas mas a gente só tinha dinheiro pra tomar o çay delicioso que eles ofereceram (de graça :P).

Afinal, vale a pena pegar um pacote?

Tudo depende, mais uma vez, do fator-chave que é o tempo. Nós tínhamos dois diazinhos em Göreme e não tínhamos meio de transporte próprio. Para nós, foi sem dúvida o melhor meio de viver essa região.

Não lembro quanto custou, mas dando uma pesquisada em outros tours semelhantes, os preços ficam em torno de 80 TL. Acho válido.

A Capadócia, ao contrário de muitos ex, definitivamente vale o remember. Quando eu tiver a oportunidade de voltar, quero ir com mais dias de sobra pra aproveitar tudo com calma, na base do slow travel.

Veja o relato completo da Turquia:

Turquia Parte 1: Expectativa x realidade em Istambul

Turquia Parte 2: Sultanahmet, a Istambul dos meus sonhos

Turquia Parte 3: Os bazares de Istambul e o banho turco

Turquia Parte 4: A hospitalidade turca

Capadócia: quando vale a pena fazer um tour guiado

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2 Comentários

  • Responder
    Anselmo
    25 de abril de 2016 às 05:46

    Olá! Poderia informar o nome da empresa ou agência do tour em goreme?
    Desde já obrigado.
    Anselmo

    • Responder
      Maria Thereza Moss
      28 de abril de 2016 às 19:34

      Oi, Anselmo! A gente reservou tudo na agência do nosso hostel, o Rock Valley. Abraços e boa viagem!

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