Destinos Turquia

A Capadócia e por que hostels são tão, tão legais

Viramos a noite num busão vindo de Istambul e voltamos pra idade da pedra em Göreme. Esses dois dias na Capadócia foram uma parte deliciosa da nossa viagem à Turquia, não só pelo feeling de estar num lugar que parece totalmente deslocado do contínuo espaço-tempo, mas também por termos tido uma das experiências de albergue mais legais que eu já tive na vida.

O hostel Rock Valley é rodeado pelas formações rochosas, como tudo na Capadócia. Aquela piscina bem no meio das pedras é surreal. Chegamos lá bem cedinho e já reservamos o tour de um dia da região. Quando fomos guardar nossas coisas no quarto, conhecemos nossos roomates e uma coisa muito legal começou a acontecer.

Vista péssima! Rock Valley hostel

Vista péssima! Rock Valley hostel

Fomos conhecendo um, depois o outro, aí fulano apresentava cicrana e assim ia. Todo mundo estava sozinho ou em duplas, e acho que isso facilitou bastante a interação. Havia o israelense, os dois australianos, a americana, o italiano, o argentino nômade, o americano que morava na França, e a gente, as brasileiras que moravam na França. A conversa rolou de um jeito completamente espontâneo, não teve nada daquele papo desconfortável de quando você acaba de conhecer alguém: oi tudo bem?, de onde você é?, ahhhh legal…, chegou faz tempo?, e assim por diante. Foi aquela simpatia imediata. Acho que o fato de o hostel não ser muito grande também contribuiu pra uma interação maior do povo.

Todo mundo foi tomar café da manhã junto, e além do rango ser carregado, fino e delicioso (tinha três opções de pratos!), as discussões variaram desde o que pretendíamos fazer no dia até a crise no Oriente Médio. Algumas pessoas se juntaram e foram dar os mesmos rolês, mas ninguém topou fazer o tour com a gente, então tivemos que nos despedir da galera temporariamente.

Depois de muito rodar naquela paisagem djoutro mundo (olha como foi pegar um tour guiado na Capadócia!), voltamos pro albergue no finalzinho da tarde.

Não estava super quente naquele dia, mas eu só conseguia pensar em entrar naquela piscina e ficar olhando aquelas pedras. Nossos amigos do quarto já estavam por ali, e alguns resolveram entrar na água também, ou ficar no “lounge” externo, uma área linda toda acarpetada e com almofadas, fumando o narguilé que os australianos tinham comprado e faziam questão de usar.

Ficamos lá mergulhando na água gelada e relaxando e tentando decidir o que fazer à noite. A “vida noturna” em Göreme consistia de alguns poucos bares na rua principal, então, sem ter muitas outras opções, reunimos todo mundo e lá fomos nós, todo aquele grupo que havia se formado assim de repente.

O lugar que escolhemos era super simples, uma estrutura de madeira e lona na calçada, mas tinha tapetes, almofadas, uma mesa baixa compartilhada e cerveja (Efes amor verdadeiro amor eterno <3).

Efes <3

Efes <3

O dono do bar, quando viu nosso grupo grande chegando, logo puxou os instrumentos e improvisou uma rodinha de música turca com os amigos dele, e ficamos ali até tarde conversando e bebendo e ouvindo música, muita vibe.

Sonzera rolando

Sonzera rolando

Se você me perguntar hoje, quatro anos depois, o nome de um dos amigos que fizemos naquele dia, eu não vou me lembrar de nenhum. Também não mantive contato com nenhum deles, mesmo em tempos de Facebook. Mas nada disso importa porque ali, naquele dia, éramos todos pessoas com mentalidades parecidas, com o mesmo objetivo, que calharam de estar na mesma hora no mesmo lugar, só sendo uma companhia legal uns para os outros. Foi uma experiência de espontainedade com expectativa zero, o que é muito raro pra mim.

Uma experiência como essa você não consegue num hotel, onde você se fecha no seu quarto com seu wifi e não tem a oportunidade de interagir com ninguém além dos funcionários na recepção.

Num hostel, as pessoas estão predispostas a estarem abertas e receptivas, e o ambiente propicia isso. Os quartos comunitários e as salas comuns são características de praticamente todo albergue, e é garantido que você vai encontrar alguém pra bater um papo. O fato de muita gente que viaja sozinha preferir essa opção de hospedagem também faz com que as pessoas queiram interagir mais.

Hostels ou albergues reúnem dezenas de viajantes todas as noites, cada um com sua história e seus planos, trazendo sempre algo de inesperado para a viagem que a gente planejou nos mínimos detalhes. E é por esse fator do inesperado que eu gosto tanto desse tipo de hospedagem e recomendo pra todo mundo. Não tenha medo do banheiro compartilhado no final do corredor. Vale a pena!

Veja o relato completo da Turquia:

Turquia Parte 1: Expectativa x realidade em Istambul

Turquia Parte 2: Sultanahmet, a Istambul dos meus sonhos

Turquia Parte 3: Os bazares de Istambul e o banho turco

Turquia Parte 4: A hospitalidade turca

Capadócia: quando vale a pena fazer um tour guiado

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