O dinheiro é, disparado, a dúvida que mais recebo sobre a #mochigrinação. Não tinha como ser diferente, afinal a gente tem que saber se vai precisar vender pulseirinha pelo caminho ou se vai andar de primeira classe.

Essa questão fica um pouco mais complicada na hora de calcular os custos de um mochilão pela América Latina, já que vamos visitar mais de um país (no meu caso, Bolívia, Peru e Chile), lidar com mais de uma moeda e mais de uma economia, com preços que podem variar bastante de um lugar para o outro. É difícil mesmo, mas vamos lá!

Os custos de um mochilão são bem maiores que 10 bolivianos.... :(
É, só sobrou isso mesmo

Custos de um mochilão

O que eu fiz para me planejar com dinheiro é a mesma coisa que você está fazendo agora: pesquisar! Vou colocar aqui todos os gastos bem detalhados e de forma clara pra você ter alguma base pra se planejar.

Obs.: Todos os valores são de junho e julho de 2014.

Obs. 2: Todos os valores são para 1 pessoa.

Obs. 3: Todos os valores foram convertidos com base no câmbio da época, considerando:

  • Peso boliviano: Bs. 1 = R$ 0,35
  • Nuevo sol peruano: S/. 1 = R$ 0,85
  • Peso chileno: $ 1 = R$ 0,00412
  • Dólar americano: US$ 1 = R$ 2,40

Seguro viagem

Eu já falei aqui como o seguro viagem salvou meu mochilão, e por isso eu sempre bato nessa tecla: seguro viagem é um dos investimentos mais importantes. Eu paguei R$ 220 por 50 dias de seguro com a Mondial e isso salvou minha vida. Comprei com desconto de um blog de viagem, e você pode comprar também. Clicando no banner aqui do lado direito da sua tela, você me dá um help e ainda ganha 15% de desconto usando o código promocional que está logo abaixo do banner. Legal, né?

Passagens

Eu fiz praticamente toda a viagem por terra, o que definitivamente saiu mais barato e ainda me fez viver altas aventuras e conhecer lugares que talvez eu não conhecesse indo de avião. O preço foi uma das coisas que me fez optar por essa modalidade de trip, e hoje vejo que foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. O roteiro e quanto ele custou foi o seguinte:

Brasil

  • Ponta Grossa (PR) – Campo Grande (MS): R$ 150
  • Campo Grande (MS) – Corumbá (MS): R$ 90

Bolívia

  • Corumbá/Pto. Quijarro – Santa Cruz (de Ferrobus): Bs. 235 (R$ 80)
  • Santa Cruz – La Paz: Bs. 140 (R$ 50)
  • La Paz – Copacabana: Bs. 80 (R$ 30)
  • Copacabana – Isla del Sol – Copabana (de barco): Bs. 50 (R$ 20)
  • Copacabana – Puno: Bs. 30 (R$ 10)

Peru

  • Puno – Cusco (de Andean Explorer): S/. 450 (R$ 385)
  • Cusco – Arequipa: S/. 125 (R$ 105)
  • Arequipa – Tacna: S/. 30 (R$ 25)
  • Tacna – Arica: S/. 20 (R$ 15)

Chile

  • Arica – San Pedro de Atacama: $ 16.100 (R$ 65)
  • San Pedro de Atacama – Uyuni (contabilizado no tour do Salar, veja logo abaixo)

Bolívia de novo

  • Uyuni – Potosi: Bs. 50 (R$ 20)
  • Potosi – Sucre: Bs. 20 (R$ 5)
  • Sucre – Santa Cruz (de avião): Bs. 445 (R$ 155)
  • Santa Cruz – Asunción: Bs. 470 (R$ 165)

Paraguai/Brasil

  • Asunción – Curitiba (PR): R$ 165
  • Curitiba – Ponta Grossa (PR): R$ 30

Total: R$ 1.565

Passeios

O valor da viagem pode obviamente variar muito com base no que você vai visitar, mas esse é o objetivo principal, né? Eu vi tudo o que queria ver e não passei vontade. A maioria dos passeios que você fecha nas agências inclui só o guia e o transporte, e você ainda precisa pagar a entrada a parte. Os valores abaixo já incluem essas entradas.

Bolívia

Peru

Chile

  • Tour Astronomico: $ 15.000 (R$ 60)
  • Laguna Cejar: $ 19.000 (R$ 80)
  • Lagunas Altiplanicas: $ 29.500 (R$ 120)
  • Geysers del Tatio: $ 25.000 (R$ 105)
  • Salar de Tara: $ 50.000 (R$ 205)
  • Salar de Uyuni (sai de San Pedro de Atacama e vai até Uyuni): $ 90.000 (R$ 370)

Total: R$ 1.965

Gastos diários: hospedagem, alimentação e extras

Isso é o que eu sempre tenho mais dificuldade de calcular. O preço médio de uma noite em albergue e de uma refeição é fácil achar, mas você sempre acaba gastando em coisas não planejadas. Além de comprar muita água mineral o tempo todo, você ainda gasta com lanchinhos, cafés, e uma lembrancinha aqui ou ali.

Claro que os preços variam de um albergue para o outro e de um restaurante para o outro, por motivos que vão desde qualidade até hype, mas é bom a gente ter uma idéia da média pra não ficar completamente perdido. Estes foram mais ou menos os preços que encontrei em junho e julho de 2014.

Média de preços na Bolívia

  • 1 noite para 1 pessoa em quarto compartilhado em albergue: Bs. 60 (R$ 20)
  • 1 refeição com prato principal e bebida: Bs. 30 (R$ 10)
  • Corrida média de taxi: Bs. 15 (R$ 5)
  • 1 cerveja Paceña: Bs. 20 (R$ 7)
  • 1l de água mineral: Bs. 5 (R$ 2)

Média de preços no Peru

  • 1 noite para 1 pessoa em quarto compartilhado em albergue: S/. 30 (R$ 25)
  • 1 refeição com prato principal e bebida: S/. 30 (R$ 25)
  • Corrida média de taxi: S/. 10 (R$ 8)
  • 1 cerveja Cusqueña: S/. 10 (R$ 8)
  • 1l de água mineral: S/. 5 (R$ 4)

Média de preços no Chile

  • 1 noite para 1 pessoa em quarto compartilhado em albergue: $ 10.000 (R$ 40)
  • 1 refeição com prato principal e bebida: $ 8.000 (R$ 30)
  • Corrida média de taxi: $ 2.000 (R$ 8)
  • 1l de água mineral: $ 1.000 (R$ 4)

É bom lembrar também que muitos dos passeios longos, como o Salar de Uyuni e a Trilha Salkantay, incluem refeições e acomodação, então o valor dessas coisas já está incluso no valor dos tours.

Mas além desses gastos principais, a gente sempre acaba desembolsando mais: lembrancinhas, remédios, banheiros públicos, ligações telefônicas e emergências. Para você ter uma idéia, somei todos os gastos diários que efetivamente tive em cada um dos países e dividi pelo número de dias que fiquei em cada um.

Média de gastos diários com hospedagem, refeições, lanches, transporte e extras (excluindo passagens e passeios)

  • Brasil: R$ 30 por dia (apenas refeições e lanches nas paradas dos ônibus)
    • 3 dias: total de R$ 90
  • Bolívia: Bs. 140 (R$ 50) por dia
    • 18 dias: total de R$ 900
  • Peru: S/. 70 (R$ 60) por dia
    • 20 dias: total de R$ 1.200
  • Chile: $ 20.000 (R$ 80) por dia
    • 7 dias: total de R$ 560

Além disso, no caminho de volta fiquei 2 dias em Asunción, no Paraguai, mas foi tudo muito rápido e acabei anotando só o valor total que gastei lá, então não sei informar detalhes.

Total da viagem

Seguindo os cálculos acima, temos os totais!

  • Seguro viagem: R$ 220
  • Passagens: R$ 1.565
  • Passeios: R$ 1.965
  • Gastos de 3 dias no Brasil: R$ 90
  • Gastos de 18 dias na Bolívia: R$ 900
  • Gastos de 20 dias no Peru: R$ 1.200
  • Gastos de 7 dias no Chile: R$ 560
  • Gastos de 2 dias no Paraguai: R$ 170

Total para 50 dias de mochilão: R$ 6.670

E se eu quiser gastar menos?

Você pode!

Se você acompanhar todos os posts da #mochigrinação, vai ver que eu fiz essa viagem esbanjando mesmo. Não passei vontade de nada, fui nos melhores restaurantes, andei num trem luxuosíssimo, só viajei de ônibus leito, escolhi ir de avião em um trecho em que a estrada era bem zoada, fiz vários passeios no deserto do Atacama etc. Até os albergues eu escolhia pelo ranking do Hostel World: ia sempre no mais bem colocado, nunca no mais barato.

Isso significa que dá pra fazer essa viagem com bem menos. O que eu sugiro pra economizar é o seguinte:

  • Ficar nos albergues mais baratos ou usar o Couchsurfing pra fazer amigos locais.
  • Comer nos restaurantes mais baratinhos ou cozinhar. Quase todos os albergues têm cozinha.
  • Selecionar menos passeios pra fazer, e pechinchar bastante na agência. Sempre rola um desconto. Também tem passeios que você pode fazer por conta. É só pesquisar!
  • Viajar em ônibus convencional. A viagem vai ser menos confortável, mas os preços chegam a metade do ônibus leito.

Como levar o dinheiro

Outra questão importantíssima no planejamento de um mochilão é de que forma levar a grana pra se virar por lá.

A primeira coisa que é preciso saber é que a forma de pagamento com cartão de débito ou crédito em lojas e restaurantes praticamente não existe na Bolívia e no Peru. É tudo no dinheiro na mão. Pra levar esse dinheiro, existem algumas opções.

Dinheiro vivo

Uma das opções é levar todo o dinheiro vivo em dólares americanos numa doleira segura e ir trocando aos poucos ao longo da viagem. Tem casa de câmbio em qualquer esquina, e até os cambistas de rua são mais ou menos confiáveis. Não aconselho levar reais, já que nem todas as casas de câmbio aceitavam. O dólar ainda é mais garantido.

Vantagens: Essa é a opção mais econômica porque o IOF pra comprar dinheiro vivo é de apenas 0,38%, muito menor do que os 6,38% cobrados para transações com cartão. Você só perde no câmbio mesmo. Também fica mais fácil se controlar e economizar, já que você sabe que só tem aquele dinheiro pra gastar e acabou.

Desvantagens: Dependendo da extensão da sua viagem, pode ser complicado levar grandes quantias de dinheiro com você o tempo todo. Além disso, existem restrições para sair do país com mais de R$10.000 ou seu equivalente em moeda estrangeira.

Saque em moeda local

A maioria dos bancos oferece essa opção. Você leva o seu cartão de débito normal e vai sacando o dinheiro nos vários caixas eletrônicos que estão em todo lugar. Antes de sair do Brasil, é preciso verificar com seu banco qual é o limite diário de saque da sua conta, e informar quais países você pretende visitar, para não ter problemas lá na hora.

Vantagens: É uma opção mais segura. Você não anda carregando um monte de dinheiro e, em caso de emergência, pode cancelar o cartão. Além disso, é mais prático. Tem caixa eletrônico em qualquer esquina e é bem fácil sacar dinheiro. A grana já sai na moeda local, então você não precisa procurar casas de câmbio nem cambistas.

Desvantagens: Você paga mais por essa segurança e praticidade. Além do IOF de 6,38% sobre os valores sacados, você ainda pode pagar taxas. O seu banco pode cobrar uma taxa por cada saque e, em cima da taxa do seu banco, você ainda pode precisar pagar a taxa de saque do banco local de onde você está tirando o dinheiro. Isso pode ser amenizado tirando o máximo de dinheiro possível de cada vez, para precisar fazer menos saques e pagar menos taxas, mas aí entramos de novo na questão da segurança de carregar muita grana por aí.

Cartão pré-pago

Confesso que nem cogitei essa opção pra essa viagem, então não sei informar se seria uma boa. Com o aumento do IOF no final de 2013, a grande vantagem desses cartões com relação ao cartão de crédito simplesmente deixou de existir. Além disso, não sei se ele permite o saque em moeda local, já que você não vai conseguir usá-lo para pagar compras porque os lugares não aceitam cartão. Não acho que seja a melhor opção.

Minha esc0lha

Eu estava bem apreensiva em levar 3 mil dólares em dinheiro vivo dentro da calça, então resolvi abraçar o fardo do IOF e das taxas de saque como um fato da vida e usei meu cartão de débito. Levei 500 dólares em dinheiro para emergências, o que é muito importante. No meu primeiro dia na Bolívia, não consegui sacar dinheiro em lugar nenhum e precisei trocar parte desse dinheiro com os cambistas. Até hoje não sei o que aconteceu, no dia seguinte consegui sacar normalmente, e dali em diante não tive mais problema nenhum.

Levei meus cartões de crédito, também para emergências, e usei só para reservar alguns albergues e comprar algumas passagens on-line.

Se eu fosse fazer a viagem de novo, teria menos medo. Levaria pelo menos metade do dinheiro em cash e usaria o saque pra outra metade, pra dividir um pouco os custos. Mas é uma escolha bem pessoal mesmo. Vai de você pesar os prós e contras e suas prioridades.

E você?

Tem uma opção melhor pra levar dinheiro para um mochilão? Conseguiu economizar horrores? Conta pra gente!

Que história é essa de #mochigrinação?

Em junho e julho de 2014 fiz um mochilão passando por Bolívia, Peru e Chile. Fui sozinha e sempre por terra, que era pra mor de passar mais tempo comigo mesma praticando duas coisas que estavam fazendo falta na minha vida: a espontaneidade e a abertura. Leia o post introdutório da série para mais detalhes sobre a idéia inicial e o roteiro, ou acompanhe todos os posts pela tag mochigrinação.