Uma coisa boa de viajar sem data pra voltar é poder tirar um dia pra fazer absolutamente nada. Assim, depois de quatro dias caminhando na Trilha Salkantay e um dia explorando Machu Picchu, eu me permiti tirar um dia inteiro em Cusco só pra descansar. Era dia 24 de junho, data que, não bastando marcar a metade da #mochigrinação, ainda era Inti Raymi, a festa mais importante de Cusco, celebrando o deus Sol.

Eu não fui assistir à famosa encenação do Inca. Em vez disso, fiz tudo o que normalmente faço num feriado em casa: acordei tarde, tomei um café da manhã reforçado com a maior calma, levei minha roupa pra lavar (tava tudo poeirento da trilha!), fui almoçar com um amigo que conheci no tour do Vale Sagrado alguns dias antes, e fomos juntos dar uma passeada pela cidade pra ver a dança, a música, as cores na Plaza de Armas. A festa do Inti Raymi está em todo lugar.

Se você estiver curioso sobre o Inti Raymi, A Zania Lages contou como foi no Sunday Cooks!

Amei Cusco, e encerrar minha estadia na cidade com toda a vibe da festa mais importante da cidade foi perfeito. Agora sim eu podia partir pra próxima.

Arequipa: amor à primeira vista

Eu não esperava nada. Fui pra lá só porque queria muito conhecer o Canyon do Colca. E não é surpresa nenhuma que quando a gente não espera nada, se surpreende. Não sei se foi o calor delicioso depois de passar tanto frio, se foram os vulcões ou a arquitetura linda, só sei que eu moraria em Arequipa. A cidade arrebatou meu coração daquele jeito que você lembra suspirando, sabe?

Plaza de Armas de Arequipa
Plaza de Armas de Arequipa

Arequipa fica no sul do Peru, a 2300 metros acima do nível do mar. A cidade é rodeada bem de perto por três vulcões enormes, o Misti, o Chachani e o Pichu Pichu. Dá pra ver todos de muitos pontos no centro da cidade, e eles estão tão próximos que se o Misti entrasse em erupção, por exemplo, a cidade teria apenas 19 segundos pra ser evacuada (quem me contou isso foi a guia do walking tour!).

Chachani e Misti
Chachani e Misti

É por causa da proximidade com os vulcões, também, que Arequipa é conhecida como la ciudad blanca. Isso porque quase todo o centro histórico é construído com uma pedra vulcânica porosa e branca, o sillar.

Teatro Municipal de Arequipa, um exemplo lindo da arquitetura em sillar
Teatro Municipal de Arequipa, um exemplo lindo da arquitetura em sillar

Outra origem do apelido é o fato de que a cidade foi uma das que mais teve presença espanhola na época da colonização e, portanto, era de população majoritariamente branca em vez de indígena, além de ser totalmente fiel à Coroa Espanhola. Então imaginem aquela arquitetura colonial espanhola feita toda de pedra branca porosa e você tem uma cidade linda.

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Arequipa é a segunda maior cidade do Peru, depois de Lima, com uma economia forte e uma cena cultural intensa. Além do Nobel de literatura Mario Vargas Llosa, muitos outros escritores renomados peruanos são daqui. Sendo uma cidade grande, as ruas são super agitadas, sempre tem muito arequipeño na rua, rola engarrafamento e o transporte público me pareceu caótico daquele jeitinho que a gente gosta.

A minha impressão geral foi que, enquanto Cusco é uma cidade de visitar, Arequipa é uma cidade de morar. Passei três dias sozinha na cidade caminhando pelas ruas do centro, até perceber que eu estava sorrindo o tempo todo. Por nada, nenhum motivo específico. Só por estar ali, comigo mesma, curtindo dias de sol e calorzinho gostoso.

Já tendo passado da metade da viagem, acho que eu estava um pouco mais esperta e confiante. Estava valorizando muito mais o fato de estar sozinha, foi como se eu finalmente percebesse que estar sozinha, ser independente e livre era uma coisa verdadeiramente boa, e não uma situação que eu tinha que passar porque foi o que a vida reservou pra mim. Até espanhol eu já estava falando bem. Me senti muito feliz nessa cidade e sempre lembro dela com muito carinho.

Veja aqui o que eu aprendi coma experiência de viajar sozinha

Afinal, como não se apaixonar por uma cidade que tem mini alfajores em todo lugar?

<3 Alfajorcito arequipeño na Plaza de Armas <3
<3 Alfajorcito arequipeño na Plaza de Armas <3

Chegando em Arequipa: os ônibus no Peru

Viajar de ônibus no Peru é muito fácil e confortável. Além dos ônibus normais que todo mundo usa e que são barateza, existe também uma companhia mais voltada para gringos mesmo, a Cruz del Sur. Os ônibus dessa empresa são mega confortáveis, poltronas enormes, com entretenimento super moderno, refeições inclusas, wifi, tudo isso aí. Mas é claro que isso vai pesar no bolso e sair mais caro do que os ônibus de linha.

Eu reservei minha passagem de Cusco pra Arequipa no meu hostel mesmo, mas no centro de qualquer cidade é muito fácil encontrar agências que vendam. Esse trecho custou 125 s/. (na época, R$ 105) em ônibus leito, com refeições inclusas, e a viagem durou cerca de 11 horas.

O que eu achei mais louco é que essa empresa tem um terminal próprio, todo modernoso e bonito. Você chega lá e despacha sua mala num balcão de bagagem, como se fosse um aeroporto, em vez de você mesmo colocar sua mala no ônibus como é aqui no Brasil. Depois vi que isso é meio comum no Peru. Então tem que ficar atento quando for embarcar.

A viagem, como esperado, foi mega confortável. As poltronas são enormes e macias, tudo muito limpo, serviram jantar e café da manhã bem decentes. Primeira classe mesmo.

Onde ficar em Arequipa

Como na maioria das cidades da AL, é legal ficar perto da Plaza de Armas. Eu fiquei no Arequipay, um hostel muito tranquilo numa área mais residencial mas ainda assim pertinho da praça. A região é bem gostosa e são só uns 5 minutinhos de caminhada até o centrão.

O que fazer em Arequipa

Nos próximos posts, vou trazer detalhes dos rolês de que eu mais gostei. Além de poder ir pro Canyon do Colca daqui, ainda tem o imperdível Monasterio de Santa Catalina e até múmias incas no Museo Santuarios Andinos! Tudo isso sem nem contar o bom e velho caminhar pela cidade e descobrir lugares legais e comidas deliciosas.

Ai que saudades de Arequipa <3

Que história é essa de #mochigrinação?

Em junho e julho de 2014 fiz um mochilão passando por Bolívia, Peru e Chile. Fui sozinha e sempre por terra, que era pra mor de passar mais tempo comigo mesma praticando duas coisas que estavam fazendo falta na minha vida: a espontaneidade e a abertura. Leia o post introdutório da série para mais detalhes sobre a idéia inicial e o roteiro, ou acompanhe todos os posts pela tag mochigrinação.